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Chuva no DF: previsão é de que precipitações comecem na semana que vem

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DF continua com altas temperaturas e baixa umidade do ar, mas previsão indica que pode haver precipitações nos próximos dias. Clima seco e quente é favorável à formação de incêndios florestais, mas o fogo costuma ser provocado pela ação humana

Enquanto a chuva não chega ao Distrito Federal, os brasilienses enfrentam a forte onda de calor e a baixa umidade. No entanto, o clima presenteia a capital do país com um horizonte cheio de combinações e cores poéticas aos olhares mais atentos. Saber apreciar a beleza dos toques alaranjados e dos dias em tons de sépia traz o lembrete de que o cenário extremo anuncia a mudança. Para os próximos dias, porém, a seca e as altas temperaturas devem persistir no Planalto Central. A umidade relativa do ar chegou nessa segunda-feira (13/9) a 10% no Gama e se igualou ao registro de sábado como o dia mais seco do ano. A máxima registrada foi de 31,1°C, com mínima de 32,5°C.

Andrea Ramos, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), adianta que, até sexta-feira, as temperaturas devem permanecer elevadas, em torno de 34°C — recorde registrado para este ano no DF em 6, 9 e 11 de setembro —, podendo baixar até os 18°C, com ventos fracos. O horizonte do DF segue carregado de névoa seca.

“A última semana de agosto e os primeiros dias de setembro bateram recorde, com picos nos registros. Ainda estamos tendo baixa umidade e altas temperaturas, e a tendência é de que se mantenha assim ao longo da semana”, explica. As estações meteorológicas do Distrito Federal registraram baixas umidades. Em Brazlândia, o número chegou a 12% e em Brasília, a 13%. A taxa de Águas Emendadas alcançou 14%. A umidade mais alta do dia chegou a 45% no Paranoá.

Segundo Andrea Ramos, umidade do ar inferior a 12% é considerada um cenário emergencial pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Registros entre 12% e 20% significam estado de alerta. Os moradores da capital federal terão de encarar mais alguns dias extremos antes da chegada da chuva, mas é possível prevê-la. De acordo com a meteorologista, a combinação de alta temperatura e baixa umidade favorece a formação dos aguaceiros. “Há perspectiva de chuva para a semana que vem, provavelmente a partir de quarta. O período do inverno tem a característica de umidades muito baixas, mas, na próxima semana, terá início o processo de transição para a primavera, que tende a gerar pancadas de chuva no fim da tarde, com gradual aumento da umidade. A temperatura deve se manter alta, combinação que favorece chuvas”, explica Andrea Ramos, destacando que é necessário manter o monitoramento para confirmar a previsão.

Queimadas
Devido à seca intensa, a meteorologista alerta para o risco de incêndios florestais. “A junção dos parâmetros de altas temperaturas, baixa umidade e ausência de chuvas sugere perigo de fogo”, completa. As chamas não pouparam o cerrado e, pelo menos, três pontos de ecoturismo no DF e no Entorno foram atingidos por incêndios no domingo. No Vale da Lua, na Chapada dos Veadeiros (GO), visitantes do local precisaram ser retirados às pressas. O Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO) informou que não havia atualização da situação até o fechamento desta edição.

No fim da tarde dessa segunda-feira, os bombeiros atuavam no combate às chamas junto a brigadistas voluntários da região, servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pessoal do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), ligado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A área queimada chega a 6 mil hectares, segundo o CBMGO. O predomínio de vegetação seca causa linhas de fogo muito intensas, e a previsão é de que a equipe — formada por cerca de 50 pessoas — continue trabalhando no local pelos próximos dias.

No DF, as cachoeiras do Poço Azul, em Brazlândia, e Tororó, em Santa Maria, precisaram ser evacuadas rapidamente por conta de queimadas. Nos 10 primeiros dias de setembro, 1.682 incêndios florestais foram contidos no Distrito Federal e Entorno. As condições climáticas não são as únicas responsáveis pelos incêndios florestais — a maioria das chamas são causadas pela ação humana, segundo o Corpo de Bombeiros. O clima quente e seco precisa ser incentivado por algum evento para provocar as primeiras fagulhas, desde relâmpagos até bitucas de cigarro e pedaços de vidro, além de outros objetos fruto do descaso das pessoas.